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| Foto: Meire Garcia |
Não
é interessante para a sociedade patriarcal e capitalista que nós, mulheres,
tenhamos uma voz ativa, que tenhamos controle sobre nossos corpos, sobre nossas
vidas e que sejamos unidas.
Essa sociedade, durante séculos, nos tomou como posse do Estado, perseguiu,
humilhou, escravizou e apropriou-se da forma mais cruel e violenta dos nossos
úteros para servir-lhes de máquina geradora de novos corpos a serem explorados.
Roubaram nosso conhecimento e o direito à fala; éramos “chacotas”, consideradas
LEGALMENTE imbecis e incapazes de tratar das próprias questões.
A
caça às bruxas, fato histórico do qual jamais poderemos negar o quanto suas
raízes ainda afetam diretamente esse nosso viver cercado de violência, serve
aqui de exemplo. Para esse fenômeno, a domesticação das mulheres foi um grande
feito e para nós uma sentença de morte.
Com
os ideais burgueses de domesticação e feminilidade, alentou-se o ódio e a
repulsa à nossa existência, afinal, como reconhecer o próprio valor em uma
sociedade que já disse que nossa única virtude era possuir um útero?
Martinho
Lutero, o reformista protestante, disse sobre as mulheres: “São necessárias para produzir o
crescimento da raça humana, quaisquer que sejam suas debilidades, as mulheres
possuem uma virtude que anula todas elas: possuem um útero e podem dar à luz”.
Há
uma luta diária para libertar nossos corpos das amarras desse sistema.
Precisamos ocupar lugares predominantemente masculinos e exigir que nossa
presença e fala sejam respeitadas e validadas, pois, fomos violadas, fisicamente e psicologicamente
para nos tornarmos essas tais “belas, recatadas e do lar”.
Patrícia
Rocha autora do livro “Mulheres– sob todas as luzes” diz que em pleno século 21
a discriminação feminina ainda é o principal desafio
a ser superado por nós.
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| Foto: Meire Garcia |
Hoje
eu resisto!
Resisto
por aquelas que foram silenciadas em vida.
Resisto
pela próxima geração de mulheres com espírito inquieto. E que elas venham para
incomodar e não mais para acatar as funções que já não nos pertencem.
Que
o futuro feminino venha forjado
por gritos selvagens.
Lutemos
para que nasçam mais Lisas, Amandas, Danielas, Rafaelas, Marielles, Carolinas,
Elzas, Djamilas e tantas outras que, com bravura, acreditam em suas vozes.
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| Foto: Meire Garcia |



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