Foto: Quitéria Produções
“Nunca entrego os
pontos...
O perigo da Vida é eminente,
O perigo do COVID é eminente,
O perigo da Sobrevivência é ainda mais feroz. E o MEDO?
O medo permite o autoritarismo. NUNCA
A Morte e o Medo devem ser a energia para a sobrevivência, para a nossa reinvenção,
para a descoberta e EVOLUÇÃO, como só́ as Mulheres sabem e são
capazes.
“Bora” seguir em frente com coragem, solidariedade e AMOR."
(Freitas Passada, da página do Chapitô)
A Brava segundo a Companhia de Eros, parte
do texto original da Brava Companhia, grupo paulistano, ao qual
prestamos homenagem pela sua militância na direção de um teatro crítico.
Na montagem da Cia. de Eros, articulamos
uma perspectiva feminista, pois a personagem central, Joana d’Arc, não é
protagonizada por uma, mas revezada entre quatro atrizes.
O tema ao qual me proponho deslindar
neste artigo é uma aproximação da nossa montagem ao feminismo novo que, segundo
Silvia Federici, autora do “Calibã e a bruxa”, também nosso objeto de
estudo, provoca:
“O feminismo novo é muito poderoso porque tem uma visão anticapitalista
que reconhece toda uma história de opressão”
E continua observando em seu discurso, que novos espaços são fundamentais, espaços aqui definidos, como lugar de
encontro.
Relaciono o teatro como
espaço fundamental. Sociabilidade, diversão e ativismo entrelaçados. O
teatro como espaço coletivo e plural na escuta das diferentes vivências
feministas, onde podemos nos encontrar, de maneira livre, ou seja, não
atrelada a formas organizativas autoritárias e/ou lugares em que o patriarcado
se reproduza.
Vejo a montagem da Brava como iniciativa de grupo, trabalhando em
mudanças sociais libertárias. Nesse sentido, o teatro pode
oferecer uma contribuição relevante.

Foto: Quitéria Produções
Mas para o quê uma mulher
francesa, morta há 600 anos, pode contribuir dialogicamente com esse novo feminismo
do século XXI?
Para formar agentes de
novas lutas, precisamos conhecer lutas passadas, para comparar às novas
realidades.
Federici com sua obra abordando a história das mulheres em
novas perspectivas, nos apresenta uma chave interpretativa desse passado. Diz ela
que o fenômeno da caça às bruxas é um dos menos estudados na história mundial,
ou pelo menos da Europa.
A maior parte das vítimas foi a
mulher camponesa, como hoje a covid-19 é letal nas periferias das cidades, numa
aproximação com a nossa realidade.
Silvia dá conta em sua obra de nos alertar que homens
interessados no estudo da “demonologia”, retrataram essas mulheres assassinadas
como tolas, miseráveis, sofredoras de alucinações (como Joana fora acusada
também). O fenômeno fica na história como loucura, pânico, epidemia, tirando a
culpa dos caçadores das bruxas, despolitizando seus crimes, matando-as como
fracassadas sociais.
Foi somente com o movimento
feminista que o fenômeno da caça às bruxas saiu da clandestinidade. A “Bruxa”,
virou um símbolo do movimento.
queimaram
as bruxas e nós resistimos!
Já ouviram palavras de ordem desse tipo? A figura da bruxa é
parte da estratégia agora, de positivação de categorias acusatórias.
As feministas detectaram que o desafio à estrutura do poder
é que teve como consequência o massacre. Dois séculos de guerra contra as
mulheres e podemos concluir que a caça às bruxas na Europa foi um ataque à
resistência que as mulheres representaram contra a difusão das relações
capitalistas e ao poder que obtiveram em virtude de sua sexualidade, seu controle
sobre a reprodução e sua capacidade de curar.
o
corpo feminino trabalha contra ela mesma (Federici)
Concluindo: a Brava trouxe para a cena uma manifestação feminista, apontando para uma tendência vigente hoje no movimento: o marxismo feminino.
No fechamento da Brava, as quatro “Joanas” declaram:
1°: O senhor pensa que viver é simplesmente poder respirar? Não
se mata o outro apenas queimando numa fogueira. Mata-se todos os dias, a toda
hora quando o impede de pensar.
2°: Eu não temo viver só de pão e água se puder continuar seguindo em frente de fronte erguida, sabendo que a força que está em mim vencerá.
3°: Agora, ficar, encurralada como um rato, sem poder me
expressar, sem poder aspirar novas criações, sem poder viver! Isso é pior que o
fogo! Isso é mutilação do ser!
4°: Eu prefiro o risco a viver do jeito que você quer. Eu
prefiro a ousadia.
Nós preferimos o fogo! A Brava sou eu!
“Nunca entrego os
pontos...
(Freitas Passada, da página do Chapitô)
O perigo da Vida é eminente,
O perigo do COVID é eminente,
O perigo da Sobrevivência é ainda mais feroz. E o MEDO?
O medo permite o autoritarismo. NUNCA
A Morte e o Medo devem ser a energia para a sobrevivência, para a nossa reinvenção,
para a descoberta e EVOLUÇÃO, como só́ as Mulheres sabem e são
capazes.
“Bora” seguir em frente com coragem, solidariedade e AMOR."
A Brava segundo a Companhia de Eros, parte
do texto original da Brava Companhia, grupo paulistano, ao qual
prestamos homenagem pela sua militância na direção de um teatro crítico.
Na montagem da Cia. de Eros, articulamos
uma perspectiva feminista, pois a personagem central, Joana d’Arc, não é
protagonizada por uma, mas revezada entre quatro atrizes.
O tema ao qual me proponho deslindar
neste artigo é uma aproximação da nossa montagem ao feminismo novo que, segundo
Silvia Federici, autora do “Calibã e a bruxa”, também nosso objeto de
estudo, provoca:
“O feminismo novo é muito poderoso porque tem uma visão anticapitalista
que reconhece toda uma história de opressão”
E continua observando em seu discurso, que novos espaços são fundamentais, espaços aqui definidos, como lugar de
encontro.
Relaciono o teatro como
espaço fundamental. Sociabilidade, diversão e ativismo entrelaçados. O
teatro como espaço coletivo e plural na escuta das diferentes vivências
feministas, onde podemos nos encontrar, de maneira livre, ou seja, não
atrelada a formas organizativas autoritárias e/ou lugares em que o patriarcado
se reproduza.
Vejo a montagem da Brava como iniciativa de grupo, trabalhando em
mudanças sociais libertárias. Nesse sentido, o teatro pode
oferecer uma contribuição relevante.
| Foto: Quitéria Produções |
Mas para o quê uma mulher
francesa, morta há 600 anos, pode contribuir dialogicamente com esse novo feminismo
do século XXI?
Para formar agentes de
novas lutas, precisamos conhecer lutas passadas, para comparar às novas
realidades.
Federici com sua obra abordando a história das mulheres em
novas perspectivas, nos apresenta uma chave interpretativa desse passado. Diz ela
que o fenômeno da caça às bruxas é um dos menos estudados na história mundial,
ou pelo menos da Europa.
A maior parte das vítimas foi a
mulher camponesa, como hoje a covid-19 é letal nas periferias das cidades, numa
aproximação com a nossa realidade.
Silvia dá conta em sua obra de nos alertar que homens
interessados no estudo da “demonologia”, retrataram essas mulheres assassinadas
como tolas, miseráveis, sofredoras de alucinações (como Joana fora acusada
também). O fenômeno fica na história como loucura, pânico, epidemia, tirando a
culpa dos caçadores das bruxas, despolitizando seus crimes, matando-as como
fracassadas sociais.
Foi somente com o movimento
feminista que o fenômeno da caça às bruxas saiu da clandestinidade. A “Bruxa”,
virou um símbolo do movimento.
queimaram
as bruxas e nós resistimos!
Já ouviram palavras de ordem desse tipo? A figura da bruxa é
parte da estratégia agora, de positivação de categorias acusatórias.
As feministas detectaram que o desafio à estrutura do poder
é que teve como consequência o massacre. Dois séculos de guerra contra as
mulheres e podemos concluir que a caça às bruxas na Europa foi um ataque à
resistência que as mulheres representaram contra a difusão das relações
capitalistas e ao poder que obtiveram em virtude de sua sexualidade, seu controle
sobre a reprodução e sua capacidade de curar.
o
corpo feminino trabalha contra ela mesma (Federici)
Concluindo: a Brava trouxe para a cena uma manifestação feminista, apontando para uma tendência vigente hoje no movimento: o marxismo feminino.
No fechamento da Brava, as quatro “Joanas” declaram:
1°: O senhor pensa que viver é simplesmente poder respirar? Não
se mata o outro apenas queimando numa fogueira. Mata-se todos os dias, a toda
hora quando o impede de pensar.
2°: Eu não temo viver só de pão e água se puder continuar seguindo em frente de fronte erguida, sabendo que a força que está em mim vencerá.
3°: Agora, ficar, encurralada como um rato, sem poder me
expressar, sem poder aspirar novas criações, sem poder viver! Isso é pior que o
fogo! Isso é mutilação do ser!
4°: Eu prefiro o risco a viver do jeito que você quer. Eu
prefiro a ousadia.
Nós preferimos o fogo! A Brava sou eu!
Nenhum comentário:
Postar um comentário